No Dia do Jornalista, mais um obstáculo no caminho da profissão, as fake news

Notícias falsas mostram-se uma realidade paralela, na maioria das vezes virtual

Atento, determinado, dinâmico, questionador, disposto, compromissado, incansável, adepto da boa prática do bem informar e, ultimamente, pertinaz no combate às fake news (notícias falsas). Este é o jornalista, profissional que tem seu dia para comemorar, o 7 de abril.

A data foi criada pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa) em 1931, em homenagem ao médico, jornalista e defensor da liberdade de imprensa Giovanni Battista Libero Badaró um ano depois de sua morte. Oposicionista ao imperador D. Pedro I, criador do Observatório Constitucional, jornal que tinha como foco temas políticos censurados na época, e ferrenho na luta pelo fim da monarquia portuguesa e independência do Brasil, Libero Badaró foi morto no dia 22 de novembro de 1930 por inimigos políticos.

A ABI, também fundada em um 7 de abril, em 1908, com objetivo de assegurar a esses profissionais todos os seus direitos, havia sido idealizada por outro jornalista, Gustavo de Lacerda, defensor da pauta de que o jornal deveria ter como missão informar, levar conhecimento à população e funcionar como cooperativa, contrário à prática da época, a de se apresentar como empresa que visava lucros, tratando a notícia apenas como mercadoria.

Lara De Novelli, 51 anos, moradora da Capital de São Paulo, iniciou na profissão em 1995, após experiência na Educação, na Secretaria do Menor, período em que conheceu diferentes cenários, o que, segundo ela, chamou a atenção para a realidade no Brasil.

Com passagens por Jornal da Tarde, Revista Época, AOL Brasil, portal da Editora Globo, Diário Catarinense e A Notícia, ambos de Santa Catarina, Metro Jornal e Estadão Blue Studio, Lara revela as maiores dificuldades da profissão. “São dois principais grupos, as questões de carreira, como salários muito baixos, horários e jornadas exaustivas e abusivas, prazos sempre muito curtos; e as questões do fazer jornalismo decente, como a falta de apoio para pautas que realmente interessam o leitor, em detrimento de pautas que interessam aos veículos, falta de estrutura, de tempo e de investimento para reportagens de fôlego, gestão em geral arcaica e truncada”, desabafa ela.

Obstáculo a ser superado constantemente na prática de bem informar, as fake news mostram-se uma realidade paralela, na maioria das vezes virtual. São mensagens, vídeos curtos, memes, entre outros meios, que contam com disparos de robôs de comunidades que só falam entre si, que leem as mesmas coisas e retuitam também as mesmas coisas.

Ao jornalista, além de ser preciso, verdadeiro, provocar a reflexão, a crítica, difundir ideias, conseguir traduzir tudo o que precisa falar, também tem lutado contra as desinformações, facilmente disseminadas nas redes sociais e com grande capacidade de viralização, divulgadas ora com objetivo de legitimar certo ponto de vista, ora para prejudicar grupos ou pessoas, para benefício de quem as repassa ou até mesmo atrair anúncios e publicidade paga. Para o jornalista, a compreensão do que deve ser informado exige análise fria dos fatos, checagem de fontes, pesquisas minuciosas, atenção, entre outras providências.

Pamela Schumaher, assessora de imprensa na Secretaria de Saúde do Estado, observa que a atuação dos profissionais da área tem sido primordial na guerra às notícias falsas. “O jornalismo tem desempenhado papel fundamental. Divulgação de notícias falsas, além de prejudicar setores como política, segurança e saúde, desinformam a população. Um exemplo relevante foi desmistificar conteúdos errôneos compartilhados na época da pandemia na campanha de vacinação contra a Covid-19. Neste caso, foi o empenho de profissionais de saúde, rádios, TVs, jornais, assessorias de imprensa que trouxe a informação correta para à população”, diz a moradora de Guarulhos.

Essas supostas informações privilegiadas nunca se confirmam, mas os propagadores fazem questão de acreditar. A Polícia Federal e a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid confirmaram a existência do chamado Gabinete do Ódio, grupo que atacava principalmente as instituições democráticas do País.

Outra questão levantada por Pamela é em relação ao etarismo, que diz ser tema que necessita de bastante reflexão. “Independentemente da faixa de idade, todas as pessoas merecem respeito, têm sonhos e conquistas a concretizar. No âmbito profissional, todos os profissionais merecem ser respeitados, pois podem contribuir muito para o desempenho de um setor ou de uma empresa”, encerra a assessora.

 Fora das redações desde o encerramento das atividades do Metro, Lara diz que, “apesar de tudo, foi boa a jornada”. “Treinei os olhos críticos; tomei muito café, ruim, mas em excelentes companhias; conheci as melhores e as piores pessoas; criei minhas filhas… enfim, a vida”, finaliza ela.

Legenda da foto: Para Pamela, jornalistas têm sido essenciais na guerra às fake news

Crédito da foto: Arquivo pessoal

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